boo-box

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Alongar antes de Nadar ajuda ou atrapalha ?

http://www.estadao.com.br/fotos/michaelphelps_natacao_14042008.jpg 
Alongar antes de Nadar ajuda ou atrapalha?
Esse assunto inflama discussões em todas as modalidades esportivas e não é diferente nas atividades aquáticas.
Uma pesquisa não tão recente (2008) , Comprova: alongar antes de atividades cíclicas aeróbias (correr, nadar, dançar) nada ajuda e até prejudica.
As conclusões são de um estudo da Universidade de Nevada (EUA), confirmando que o alongamento feito imediatamente antes de começar a atividade não previne lesões, nem melhora a performance.
E a nova pesquisa ainda mostra que o alongamento nesse momento chega até a prejudicar, ao reduzir a capacidade de força.
Boa parte dos nadadores, orientados ou não por treinadores, ainda tem esse hábito, pois essa questão é bastante divergente e gera certa polêmica.
 click to 
zoom
Qual é o Público
Na verdade na Natação existem públicos distintos.
Os popularmente chamados de “Atletas da água ”, que gostam de "pegar" muito pesado onde a maioria segue orientação criteriosa de seus professores e as pessoas que procuram na atividade física a qualidade de vida e/ou performace , pode utilizar a natação como complemento de um esporte que pratique.
Existe o nadador "Bumerangue", nada apenas durante o verão, gosta de nadar porém alongamento ou aquecimento não diferencia seu treino, utiliza a atividade para melhorar a qualidade vida e não pensa em performance.
Já o Nadador "Terapêutico" , normalmente nada por orientação médica, busca melhorar ou estabilizar alguma patologia, seu maior erro é achar que inovações ou exercícios diferentes não lhe acrescentam em nada, alongamento ou aquecimento normalmente não executado por esse público, sua frase chave é: ' eu não estou aqui para competir'.
O Nadador " Aprendiz", iniciou a pouco tempo a prática da natação , a confiança não seu ponto forte, porém a determinação diferencia esta tribo, Faz o que o instrutor manda ou oque foi aprendido anteriormente quanto aquecimento ou alongamento.
O Nadador "Relaxado", sabe nadar nem sempre com a técnica mais adequada mas nada, normalmente repete a mesma série em todos os treinos, alguns alongam pois aprenderam no passado, porém não se nota aquecimento ou diferenciamento no rítmo inicial e final no transcorrer do treino. Sua màxima è: 'eu vim para relaxar'.
Você pode pertencer a vários grupos  ao mesmo tempo.
http://www.gizelemonteiro.com.br/wp-content/uploads/2009/08/imagem1.jpg
Essa questão de alongamento principalmente antes é discutível. 
Na prática o “atleta” aquece com o próprio exercício pegando leve antes de começar a série principal e dá certo. 
O nadador aquece nadando, o futebolista batendo bola e assim por diante e tem fundamento.
Para o aquecimento existe consenso na literatura e na prática indicando como benefícios mais evidentes o aumento da temperatura muscular, da elasticidade dos tecidos, do débito cardíaco, melhora do metabolismo energético, sistema nervoso central e recrutamento das unidades motoras.
Porém essa solicitação de fibras ocorre despêndio e a perda de "força", por isso alguns profissionais alegam que força e alogamento são opostos.
http://www.michaelphelps.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Phelps-bra%C3%A7o-alongado-419x315.jpg
Aquecimento ou Alongamento?
Existem trabalhos comparando protocolos de aquecimento com alongamento, aquecimento aeróbio (corrida na esteira ou pedalar na bicicleta ergométrica) e aquecimento específico no próprio aparelho antes de um teste de Repetição Máxima.
Os avaliados que fizeram aquecimento específico tiveram melhor desempenho na mobilização de carga. 
Significa dizer que o aquecimento é mais importante que o alongamento.
Agora, tal como na corrida o alongamento depois pode ser feito desde que não seja "puxado", somente a título de relaxar, pois as fibras musculares já estão cansadas e o alongamento explorando o máximo da flexibilidade pode realmente gerar lesão.
Oque buscamos no relaxamento após treino é bem estar, relaxar as musculaturas solicitadas.
Tanto o corredor como o “Alteta H2O” precisam de flexibilidade para que o músculo responda melhor na hora do exercício principal e o desenvolvimento da flexibilidade se dá com o exercício de alongamento, mas deve ser feito numa aula de alongamento específica em seção separada da rotina de exercícios.
http://amadeo.blog.com/repository/1072345/2577887.jpg
A Diferença de Flexibilidade e Alongamento
Em primeiro lugar vamos relembrar as diferenças:
“Flexibilidade é a amplitude máxima de um movimento em uma ou várias articulações combinadas” e o alongamento é o exercício destinado a desenvolver essa capacidade.
Cada atividade física existe um nível ótimo de flexibilidade de acordo com as exigências motoras da própria atividade e a musculação também tem.
Sendo assim, é de se supor, por exemplo, que a ginástica Olímpica e o salto em altura exijam um grau de flexibilidade e amplitude maior que a corrida, a caminhada e assim por diante. 
Um músculo flexível responde melhor ao ato motor desejado. 
Ou seja, o corredor corre mais fácil, o nadador nada melhor e a hipertrofia muscular também responde melhor.
Existe ainda, a diferença entre o alongamento e flexionamento defendido em tese de mestrado por Dantas referindo-se à intensidade do alongamento, respectivamente grau submáximo e máximo.
Ou seja, na linguagem popular “forçar” mais ou menos de acordo com o objetivo.
http://www.autenticavida.com.br/arquivos/alongamento2.jpg
O alongamento e o flexionamento provocam diferentes respostas fisiológicas para cada objetivo
Em síntese, o alongamento simples, sem flexionamento, até pode ser utilizado durante o aquecimento e na volta à calma encontrando inclusive respaldo na literatura e principalmente na prática.
O nadador que vai iniciar a sua atividade antes aquece e, dá uma “alongadinha básica” leve somente nos braços. 
Dizem eles: “Pra soltar”. Na verdade muitos defendem que fatores psicológicos e culturais estão envolvidos neste ato, pois ele se sente mais seguro.
O corredor também faz isso.
É aquela puxadinha na perna para trás para alongar o quadríceps, uma “esticadinha” na passada e só. 
Nada de ficar fazendo alongamento estático que é um movimento contrário ao que virá a seguir.
Já no caso da musculação já existe entre os praticantes certa resistência contra a prática do alongamento antes.
Existem bons trabalhos citando que o alongamento antes da musculação não promove qualquer benefício na prevenção de lesões e isso hoje vale para qualquer modalidade.
A tese que reforça esse posicionamento diz que o alongamento forçado (flexionamento) antes da atividade deve ser evitado, porque inibe os receptores musculares, tendinosos e articulares responsáveis pela segurança até elevando o risco de lesão ao invés de prevenir. 
Além disso diminui o potencial de força necessária na atividade. 
Esses receptores são chamados de Órgãos Tendinosos de Golgi recrutados no flexionamento, mas não no alongamento simples ou submáximo. 
O alongamento dinâmico simples e bem leve junto com o aquecimento antes pode ajudar a relaxar e/ou preparar os músculos diminuindo sua viscosidade, mas é dispensável.
Depois da atividade tem a função de recuperar desde que seja simples sem flexionamento.
http://amadeo.blog.com/repository/1072345/2577887.jpg
Sem complicar muito, o ato de espreguiçar, e que todo mundo faz, é uma necessidade natural e inerente aos seres vivos. 
Até os animais fazem isso. Observe o seu cão. “Antes” de qualquer movimento o corpo sente a necessidade de alongar e isso também pode ser válido antes de “treinar pesado”.
O músculo vai precisar de um mínimo de amplitude útil para executar o movimento. Isso me parece lógico, mas não tem pesquisa que prove isso. 
Usando o cão como exemplo quando ele está lá quieto e pressente algum perigo ele ataca sem alongar e nem por isso tem algum problema. 
Voltando aos seres humanos cada aluno de natação tem o seu jeito de trabalhar com diferentes tipos de treinos (velocidade, resistência, força, relaxamento).
http://www.allsul.com/PARCEIROS/guiaempresas/ingapool.jpg
Fazer alongamento depois da natação ou de qualquer exercício é sempre proveitoso não faltando trabalhos sobre esse assunto e na prática basta perguntar aos adeptos.
A resposta é simples. “Faço porque me sinto bem e não costumo sentir dores musculares no dia seguinte”.
Na prática não conheço casos de pessoas lesionadas por fazer alongamento simples depois da natação, mas antes realmente não existe consenso na literatura.
Vale à pena utilizar um antigo ditado popular: “time que está ganhando não se mexe”.
Qualquer atividade física, seja ela qual for, exige uma mobilidade articular mínima. 
O sujeito sedentário quando passa a praticar um exercício qualquer começa a forçar naturalmente novos limites de amplitude, por vezes à custa de pequenas  dores aqui e outra ali.
A natação aumenta a flexibilidade articular de quem já tinha alguma limitação pela falta de uso.
Muitas vezes não é o exercício que lesiona e sim a execução sem orientação profissional.
  http://3.bp.blogspot.com/_4I7DCAJw-Ss/Sbfr8ujLojI/AAAAAAAAH28/ICSl7JKG3mI/s400/fly+swim.jpg
Como Desenvolver a Flexibilidade

Flexibilidade depende de fatores ósseos, musculares, tendinosos, da cápsula articular, da gordura e da pele.
Dentre esses fatores os mais importantes são a cápsula articular contribuindo com 47% e os músculos com 41%.
Algumas pessoas têm mais tecido chamado de colágeno que não são elásticos e por isso sentem mais dificuldades.
Claro, a flexibilidade também está associada ao sexo, a idade, a lateralidade corporal, à hora do dia e aquecimento.
As mulheres e as crianças são normalmente mais flexíveis e o destro costuma ter o lado direito melhor do que o esquerdo por razões óbvias.
Existem nados que requerem maior flexibilidade como o nado de Peito.
Apesar de todos os nados solicitem e estimulem aumentar a flexibilidade, situações extremas levam a erros posturais e má aplicação de alavancas durante o nado.
http://roxanabrasil.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/hist%C3%B3ria_natacao.jpg 
Dicas de alongamento na Natação
1) Cada um tem o seu limite.
Não tente "forçar a barra".
A amplitude deve ir até onde se sinta bem ou leve dor suportável;
2) A maioria das pessoas tem o peitoral, lombar e posteriores de coxa encurtados.
Deve-se dar preferência por alongamentos que trabalhem essas regiões e/ou os grupos musculares que notadamente sejam deficientes.
3) Os alongamentos devem incluir os grupos musculares trabalhados na atividade diária principal e/ou do gesto esportivo.
4) A escolha do método deve priorizar a necessidade e preferência do indivíduo.
Todos têm as suas vantagens e não existe pesquisa conclusiva mostrando ser um método melhor que outro.
Depende da necessidade, do fundamento e para quem é o trabalho.
5) A musculatura agônica e antagônica deve ser trabalhada a fim de proporcionar um desenvolvimento harmônico da amplitude do movimento. Não adianta nadar apenas um nado intensamente e não compensar a musculatura . Por mais que você odeie nadar Costas ainda é a melhor solução.
6) Uma aula de alongamento objetivando a flexibilidade deve ser separada da natação e de forma global levando de 30 a 40 minutos.
7) Como qualquer outra atividade física o alongamento deve partir do prazer individual.
8) Alongamento e natação só combinam se uma atividade não atrapalhar a outra.
http://www.atribunamt.com.br/wp-content/images/imagens_do_dia/28-03-07/Adolescente%20pratica%20natacao%20-%20esporte%20-%20cor.jpg
Para uma bom Treino de Natação:
1) Deve-se ter em mente o objetivo.
Para que e porque fazer.
2) Antes de começar, como toda atividade física, deve-se fazer avaliação médica e funcional.
3) Estabelecidos os objetivos converse com o professor sobre sua preferência dos exercícios destinados a determinados músculos.
Existem muitos exercícios, formas de execução e métodos para cada grupo muscular.
4) Se vai fazer só natação prefira aquecer com o próprio exercício nade leve no início aumento o rítmo gradativamente até a série principal.
5) O alongamento antes não acrescenta nada, mas não é proibido fazer. Só faça se achar conveniente ou por estar acostumado por conta de vício já adquirido.
6) Respeite a planilha usando as cargas, séries e intervalos corretos. Se precisar fazer qualquer alteração converse com o professor.
7) Comunique-se! Fale com seu professor elimine suas dúvidas sobre o trabalho a ser desenvolvido, informe qualquer alteração. Faça  o exercício corretamente, não se intimide pergunte se está certo, sua segurança é importante, sem seguir regras de ergonomia você pode se  machucar.
8) Use sempre o bom senso.

A polêmica continua, o negócio é acompanhar as evoluções e verificar se possível aplica-las ou não nem sempre oque é citado em algum estudo é a verdade de todos.



Bibliografia:

1) ACHOUR JÚNIOR, Abdallah. Flexibilidade e alongamento: saúde e bem estar. Barueri:
Manole, 2004.
2) BOMPA, T; CORNACCHIA, L. Treinamento de Força Consciente. Phorte, 2000
3) Dantas, Estélio H. M. , 1950 - Alongamento e flexionamento/ Estélio H. M. Dantas - 5. Ed. - Rio de Janeiro : Shape, 2005.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Prevenção de Lesões na Natação‏

A julgar pelas estaticas oficiais, a natação é, neste momento, a segunda modalidade desportiva mais praticada no nosso país.
http://www.gizelemonteiro.com.br/wp-content/uploads/2009/09/mariana-brochado-natacao.jpg
Esta situação pode ser relacionada com aspectos culturais, fundamentalmente ao nível dos países desenvolvidos, onde o saber nadar é o corolírio lógico de uma política desportiva.
Para tal muito tem contribuído a construção de novas piscinas e a incentivo da prática da modalidade, a todas as faixas etárias da população.
Na realidade, trata-se de uma modalidade desportiva não traumática e, quando convenientemente orientada, de grande valor profiláctico e terapêutico.
No entanto, apesar dos evidentes e inquestionáveis benefícios inerentes a natação de lazer e terapêutica, a prática competitiva, particularmente nas faixas etárias mais baixas, pode repercutir-se negativamente na integridade física do jovem, situação que urge evitar através de uma metodologia de intervenção que inclua o fator prevenção.

A prática da natação de competição inicia-se precocemente.
É comum encontrarmos nadadores de grupos de idade, entre os 10 e 12 anos, sujeitos a elevados volumes de treino.
http://lh4.ggpht.com/_kFnM48QKhdk/Sibzm9amGCI/AAAAAAAAAO0/Ervz2N15j8A/s512/DSC00103.JPG
A Medicina Desportiva deverá abranger os diferentes escalões etários, não deixando de execer a sua ação preventiva nos nadadores mais jovens, pois que é no treino de base que se criam as condições de instalação das disfunções específicas resultantes da prática de natação de competição.
Reforçamos a ideia de atuação no treino, pois que é no treino que se encontra a origem da quase totalidade dos casos clínicos, ao contrário de outras modalidades onde a prevalência de lesões se relaciona com a competição.
Características principais da modalidade
A natação é considerada uma modalidade de "resistência".
Para o desenvolvimento das suas diferentes formas de manifestação, solicita-se ao praticante a realização de tarefas que acarretam considerável volume de treino.
Numa fase de treino de base, o jovem pode ser levado a nadar 5000 metros/dia, volume este que chega a atingir, em alguns casos, 15000 metros numa fase de nadador adulto.
Como exemplo a vida média de um nadador comum de competição, podemos afirmar que, em termos aproximados e sem corrermos o risco de exageros, permanece 4000 horas na água e percorre uma distância vizinha de 8000 quilometros.
Se é certo que o organismo possui capacidades adaptativas, sendo a otimização e potenciação destas capacidades a principal função do treino, não é menos certo que para a sua objetivação muito concorre a qualidade da orientação técnica, onde a prevenção dos desvios é normalidade deverá ocupar papel fundamental.
Esta, deverá ser equacionada a dois níveis:
  • a sobrecarga morfo-funcional provocada pelo treino e competições
  • e as resultantes do meio em que se realiza a prática desportiva, neste caso o meio aquático.
http://www.terra.com.br/esportes/beijing2008/fotosg/080815/natacao_getty.jpg
Caracteristicas da diferentes técnicas de nado
Embora de forma muito breve, passaremos a referi-las por nos permitirem estabelecer algumas relações causa/efeito entre determinados tipos de lesõo e a especialidade técnica do nadador.
Generalidades
Os movimentos são cíclicos, bilaterais, alternados ou simultâneos.
Os fatores que contribuem para que o gesto desportivo se realize de forma eficaz são:
  • a respiração,
  • o equilíbrio,
  • a propulsão
  • e a resistência ao deslocamento.
http://www.podcorrer.com/wp-content/uploads/2009/09/natacao.jpg
Na respiração interessa considerar a fase ventilatória, onde o ritmo é imposto pelas características da técnica, fundamentalmente pela ação dos membros superiores.
Modificam-se os mecanismos inatos, observados no meio aéreo, pelo que a fase expiratória passa a ser ativa e prolongada.
Deste modo os ciclos ventilatóirios são constituídos por uma fase inspiratória breve e uma fase expiratória mais prolongada e realizada contra a resistência da água.
O equilíbrio é proximo do horizontal, sendo assegurado essencialmente pelos membros inferiores. As informações plantares são suprimidas, sendo a força da gravidade quase anulada pela força de impulsão.
A propulsão é assegurada pela ação conjunta dos diferentes segmentos corporais, onde a ação dos membros superiores e inferiores assumem papel importante.
A importância de cada um destes segmentos corporais depende das características da técnica e do estilo.
No âmbito da resistência ao deslocamento, distinguem-se três tipos:
  • a resistência de fricção ou de contato,
  • a resistência de forma ou de pressão
  • e a resistência de onda.
Apenas que a resistência de contato ou atrito aumenta linearmente com a velocidade, a de forma ou de pressão aumenta com o quadrado da velocidade e a de onda com o cubo da velocidade. Deste modo, velocidades mais elevadas, implicam maiores aplicações de força e, consequentemente, maior sobrecarga musculo-esquelética.
http://www.chronosteam.com.br/chronosppr/my/news/news_1208_.jpg
Tipos de lesões
Como já anteriormente foi referido as lesões mais frequentes em natação são as resultantes da sobrecarga morfo-funcional e as relacionadas com a permanência no meio aquático.
Nesta sistematização, forçosamente restritiva, abordaremos as situações traumáticas mais comuns.
Não referiremos outras disfunções resultantes da sobrecarga de treino e que se prendem com alterações metabólicas, endócrinas e imunológicas.

Quadro I: Patologias mais frequentes
  • Articulares
  • Cutâneas
  • Nariz e Boca
  • Oculares
QuadroII: Patologias mais frequentes
  • Ombro
  • dermites
  • Otites externas e médias
  • OlhoVermelho(conjuntivite)
  • Joelho
  • micoses
  • sinusopatias
  • Coluna vertebral
http://www.goswim.tv/system/uploads/Image/KLJ.12.w.jpg

Ombro
O complexo articular do ombro une o membro superior ao torax e constituído por trás articulações:
  • a escapulo ou gleno-umeral,
  • a acromio-clavicular
  • e a esterno-clavicular.
Possui ainda um plano de deslizamento escapulo-torácico que, do ponto de vista funcional, se comporta como uma verdadeira articulação.
Trata-se de uma unidade anatômica funcional complexa que alia a necessidade de uma grande mobilidade a uma escassa estabilidade.
De fato, o suporte ósseo é reduzido, sendo a relação úmero/escápula mantida fundamentalmente por tecidos moles, o que explica a prevalência de lesões a este nível.
A patologia do ombro, constitui o problema traumatológico mais frequente e incapacitante em natação de competição.
Alguns estudos apontam que mais de 50% dos nadadores, apresentaram ou apresentam queixas dolorosas da cintura escapular.
Destes, 10% faltaram a treinos e/ou competições.
http://www.bestswimming.com.br/blog/media/1/20080911-dara.jpg
O conceito de "ombro de nadador" (swimming shoulder) define um tipo específico de patologia dolorosa, prevalente em nadadores de competição.
Este termo engloba lesões articulares e peri-articulares.
Fatores etiológicos
O conjunto de sinais e sintomas que caracterizam o designado "sindrome do ombro doloroso do nadador" relacionam-se, como já foi referido, com as caracteristicas anatomo-funcionais deste complexo articular e com o tipo de solicitação que lhe é imposto nas diferentes técnicas de nado.
http://2.bp.blogspot.com/_H9QThFjkT_A/SpAmWCELViI/AAAAAAAAAEg/sbmn127_0eI/s200/ombro2.JPG
Trata-se de uma entidade clínica incluída no âmbito dos "cumulative trauma disorders (CTD)" ou "overuse syndrome".
Esta terminologia anglo-saxônica, comummente aceite no meio médico, caracteriza as disfunções resultantes da ação microtraumática repetida.

Fatores que contribuem para a instalação do CTD
FORÇA + REPETIÇÃO + POSTURA + AUSÊNCIA DE REPOUSO

No treino de natação todos estes "ingredientes" estão presentes:
  • Um nadador que percorra 5000 metros/dia, realizará cerca de 2000 ciclos de braços por sessão de treino.
  • Esta solicitação diária média corresponde a 12.000 ciclos/semana.
A hipersolicitação desta forma imposta, é realizada em sobrecarga (força), de forma cíclica por imperativos da técnica de nado(repetição), em rotação interna (postura) e no raras vezes desrespeitando os intervalos optimos de recuperação (ausência de repouso)
No quadro II apresentam-se as principais causas deste tipo de lesões.
Portanto, factores que urge considerar num programa de prevenção.
QUADRO II: " Sindrome do ombro doloroso do nadador "
http://pan2007.globo.com/ESP/Home/foto/0,,11175803-EX,00.jpg
Erros repetidos da técnica de braçada que, ao favorecem uma exagerada rotação interna do ombro no início da fase propulsiva e inclusivamente durante a recuperação, criam condições favoráveis a ação micro-traumáticaPrograma inadequados de exercícios de força e reforço muscular, acarretando desequilíbrios entre os vários grupos musculares.
Hipersolicitação das estruturas anatomicas, resultante de cargas de treino elevadas e deficiências de ordem técnica.
Utilização indiscriminada de material acessório de apoio ao treino destinado a aumentar a superfcie propulsiva da mão ("swimming paddles")
O termo tendinite é aplicado indiscriminadamente a uma multiplicidade de problemas que afetam a cintura escapular dos nadadores.
Objetivando uma melhor caracterização deste conceito, referiremos que se trata de um processo resultante de uma irritação repetida das estruturas tendinosas, provocada pelo ato de nadar.
As estruturas tendinosas mais vulgarmente afectadas são os tendões dos músculos supra-espinhoso, infra-espinhoso, longa porção do bícepsa e infra-escapular.
Os sindromes de"impingement" associam-se frequentemente a tendinite, principalmente a do supra-espinhoso e longa porção do bíceps, sendo muitas vezes consideradas comouma mesma entidade.
Neste caso assume particular importância a estrutura osteo-ligamentar formada pelas duas proeminências ósseas da omoplata, acromio e apífice coracóideia, reunidas formada pelas duas proeminências ósseas da omoplata, acromio e apífice coracóideia, reunidas pelo ligamento coraco-acromial.
A designação"impingement" refere-se a fenômenos de compressão, situação comum em determinadas fases do ciclo de braços durante o nado.
A patologia do espaço sub-acromial é, nesta modalidade desportiva, de grande importância. Sob um prisma fisiopatológico podemos referir que o espaço de deslizamento sub-acromial, pela precisão do seu mecanismo de funcionamento, afigura-se-nos a estrutura mais frágil do complexo articular do ombro. A articulação dos rotadores e a longa porção do bíceps desempenham relevante papel estabilizador.
O musculo supra-espinhoso tem uma ação chave neste sistema de contenso, evitando, em associação com o musculo deltóide, o deslocamento da cabeça do umero em direção ao acromio.
Estas caraterísticas anatômicas determinam a hipersolicitação da coifa dos rotadores durante o nado, fornecendo explicações para a frequência e precocidade deste tipo de lesões em nadadores submetidos a sobrecarga funcional, donde resulta a ação microtraumática repetida.
Estudos que objetivaram a vascularização da coifa dos rotadores, descreveram a existência de uma "zona crítica", localizada aproximadamente 1 centímetro para dentro da inserção do supra-espinhoso.
Trata-se de uma zona hipovascular, portanto mais suscetível a fenômenos degenerativos.
Esta hipovascularização é variável com a posição do braço é verificável também no tendão da longa porção do bíceps no seu percurso sobre a cabeça do umero.
http://www.blogdacomunicacao.com.br/wp-content/uploads/2009/03/thiago-pereira-pequim1.jpg
As zonas avasculares destes dois tendões são particularmente vulneráveis ao "conflito" mecânico, fatores estes que se encontram fortemente correlacionados com a gênese da patologia sub-acromial.
A resposta inicial é do tipo inflamatório, traduzindo-se por uma tendinite.
Este processo pode estender-se a bolsa serosa sub-acromial.
A manutenção desta situação pode levar a micro-rupturas do tendão dos rotadores e, mais tardiamente, a rupturas completas, situação passível de ocorrer quando não se interrompe a cadeia de factores pré-disponentes, consubstanciados nos erros da técnica de nado e dos processo de treino implementados.

Abordagem clínica
O principal objetivo da avaliação deste tipo de situações é a sua deteção precoce.
O exame subjetivo assume particular importancia e permite-nos o acesso a seguinte categorização:
FASE 1: Dor apenas após o treino
FASE 2: Dor durante e após o treino
FASE 3: Dor durante o treino e que afeta a prestação
FASE 4: Dor persistente, que afecta as atividades diárias e que leva a interrupção do treino.

Estas quatro fases correspondem, grosso modo, a estadios evolutivos do processo patológico, para os quais também é usual considerarem-se 4 níveis:

http://www.fm.usp.br/fofito/fisio/pessoal/isabel/biomecanicaonline/articulacoes/ombro/image410.gif
Descrição

1 A articulação dos rotadores está intacta.
Existe inflamação e edema na zona vulnerável do supra-espinhoso.
A dor não é constante, surge após o treino e autolimita-se ao fim de algumas horas.
A dor é referida na região inferior e lateral do deltóide.
Os testes de flexão para diante, abdução rotação interna contra resistência são positivos

2 A situação inflamatória é mais extensa.
Existem alterações isquêmicas e dissociação das fibras colageneas, com rupturas parciais.
A amplitude articular pode estar mantida.
Regra geral, a prestação em competição não é afetada pela dor.
Esta, a de difícil localização e referida como profunda.
Quando localizada, sub-deltóideia e de predomínio noturno.

3 A mesma situação descrita para o nível 2, com sinais e sintomas de maior gravidade -dor no decurso do treino. -ausência de predomínio noturno-Afetação da prestação.

4 A destruição e degeneração do supra-espinhoso ao nível da coifa dos rotadores é completa. A dor é constante.
Existe impotância funcional muito marcada
http://www.senado.gov.br/sf/senado/portaldoservidor/jornal/jornal106/Imagens/ombro.jpg

Programa de prevenção
Insistir na utilização de uma técnica de nado correta: recuperação alta na fase aérea da braçada em crol, respiração bilateral, evitar a entrada da mão na água em rotação interna excessiva.
Na técnica de borboleta, um segundo batimento de pernas forte, facilita o início da fase de recuperação do ciclo de braços, projetando os ombros para diante.
http://ol.i.uol.com.br/2008/album//080813natacao_f_009.jpg
O fato de deixar "cair" a cabeça, inclusivamente antes da entrada das mãos na água, pode evitar a dor, pois contraria a hiperflexão dos ombros, quando em rotação interna.
Nestas duas técnicas, crawl e Borboleta, principais causadoras de patologia do ombro, deverá ser desencorajada a utilização de "paddles" ou palmares.
Dosar o volume de treino de acordo com a idade e o desenvolvimento musculo-esquelético do nadador.
Respeitar igualmente os tempos de recuperação.
Realizar preparação física fora de água, onde o reforço muscular é fundamental.
Além do desenvolvimento muscular geral deverá ser dada especial importancia ao treino dos rotadores externos, com o objetivo de diminuir o natural desequilíbrio rotadores externos/internos provocado por um treino exclusivamente aquático.
Realização de exercícios de amplitude articular/flexibilidade.
Neste caso os métodos passivos e, inclusivamente os dinâmicos simples, apresentam desvantagens relativamente facilitação neuromuscular proprioceptiva (PNF).
Para treinadores e nadadores, estas questões são de inegável importncia.
É fundamental que tomem consciência de trás ordens de fatores, cujo conhecimento está na base da prevenção e diagnóstico precoce desta patologia:
  • Como prevenir a lesão de sobrecarga;
  • como diferenciar a natural mialgia de esforço de um "ombro doloroso";
  • qual a atitude a tomar após o aparecimento dos primeiros sintomas.
http://fuleiragem.typepad.com/photos/uncategorized/kaio_marcio.jpg
Ao Aparecimento dos primeiros sintomas :
  • Reduzir a distância de nado.
  • Se o alívio é imediato (nas primeiras 24- 48 horas), somos levados a admitir a possibilidade de estarmos na presença de uma mialgia de esforço.
  • Evitar as técnicas de nado que mais exacerbam a dor
  • Modificar a técnica de nado de modo a manter a eficiência biomecânica do gesto e, simultaneamente, diminuir a ação microtraumática sobre as estruturas lesadas.
  • Incrementar o "treino de pernas" em detrimento do "treino de braços", nas fases agudas.
  • Manter a condiçãoo física através de outro tipo de atividade que não a natação convencional.
  • Aplicar gelo após as sessões de treino
  • Não deixar de consultar o médico
  • Na fase inicial de instalação da sintomatologia dolorosa, ao gelo e repouso devem associar-se AINE.
http://oglobo.globo.com/fotos/2009/05/09/09_MHG_natacao.jpg
Joelho
A natação de competição apresentou uma elevada incidência de lesões em joelhos de nadadores de peito.
Para a generalidade dos autores consultados, o mecanismo desencadeador relaciona-se com a fase final da "pernada".
As alterações anatomo-funcionais que caracterizam o "joelho de nadadores de peito."
Tem sido relacionadas com o envolvimento do ligamento lateral interno e articulação femuro-tibial.
Vários estudos confirmam estes eventos, constituindo hoje uma opinião unânime e irrefutável.
Passaremos portanto a descrever as alterações anatomo-funcionais mais relevantes ao nível daquelas estruturas.
Está provada a existência de uma elevação das forças de tensão no ligamento lateral interno durante a flexão, extensão, rotação tibial e valgismo de "stress".
http://www.ronysports.com/img2006/9060.jpg
São situações que se verificam em diferentes fases da pernada de Peito.
A mensuração das forças de tensão que envolvem o ligamento lateral interno, subsequentes a rotação externa, valgismo de stress e extensão do joelho, evidencia um aumento dessa força de tensão a medida que o joelho evolui da flexão para a extensão.
O ligamento lateral interno pode ser sub-dividido em duas unidades funcionais com modos de atuação distintos, as fibras da porção anterior e as fibras da porção posterior.
A tensão da porção anterior aumenta durante a flexão, enquanto que este aumento só se verifica, na porção posterior, durante a extensão .
Logo, a rotação interna e flexão do joelho que ocorrem na fase inicial da "pernada" aumentam significativamente a tensão imposta as fibras da porção anterior do ligamento.
Deste modo, a fase inicial da pernada de peito, ao provocar tensão exagerada das fibras da porção anterior, constitui um importante factor patogênico da instalação da lesão a este nível.
Inversamente, quando a sintomatologia e o exame do joelho indicam compromissos da porção posterior, deveremos investigar a fase final da "pernada".
No entanto, esta divisão é importante apenas pelo seu didactismo e para efeitos de correção técnica.
Na prática extremamente difícil diferenciar estas duas situações, porque não raras vezes apresentam-se associadas.
Através da realização de exames artroscópicos em nadadores de peito com sintomatologia crônica na transição femuro-tibial, alguns autores diagnosticaram condromalácia e sinovite.
http://4.bp.blogspot.com/_fYN7cA6tp7c/SyO5rzjfqLI/AAAAAAAAAj0/FLPMBjSJzws/s400/joelho_00.jpg
Os movimentos repetidos de flexão/extensão, em associação com movimentos rotacionais, predispõem a lesão, podendo ser causa de inflamação, capsulite adjacente e sinovite.
Convém também salientar a ação dos grupos musculares potentes (isquiotibiais e quadricipete crural), pela sua importancia na ação propulsiva da pernada de peito e pelas condições particulares em que operam:
Rotação interna, valgismo de "stress" e flexão que evolui rapidamente para a extensão completa.
Relações anatômicas entre estes músculos e as estruturas capsulo-ligamentares envolvidas.
Para o surgimento da lesão podemos referir que existe uma correlação direta e significativa entre o agravamento dos sintomas e os seguintes aspectos:
  • idade, numero de anos de prática,
  • aumento do volume de treino na técnica de peito,
  • aquecimento deficiente,
  • insuficiente treino de flexibilidade e reforço muscular, principalmente na fase de treino de base.
http://2.bp.blogspot.com/_hnSCfY1ak8A/R7N8tx4Fn6I/AAAAAAAAFLk/Pa5J4qNUvmw/s400/filipina.jpg
Os nadadores que referem, sistemáticamnte, dores ao nível do joelho, apresentam diminuição dos índices de força específica - propulsão a custa dos membros inferiores, situação que pode ser avaliada em testes isotônicos e isocinéticos/biocinéticos.
Estes últimos são mais fiéis e especificos.
Observa-se também diminuição da amplitude articular, mais evidente para a rotação interna.
A partir da década de oitenta assistiu-se a uma diminuição deste tipo de lesões.
Tal fato pode estar relacionado com modificações operadas ao nível da técnica.
O Peito "natural",. substituiu o peito "formal", alterando significativamente a biomecânica da "pernada", através de um aumento do movimento vertical do corpo, ao qual se associa uma redução da flexão do joelho.
Estas alterações na técnica de nado, repercutiram-se nos fatores mecânicos associados a lesão e alteraram significativamente a sua epidemiologia,não devendo ser ignoradas pelos médicos que observam nadadores de peito.
http://www.estadao.com.br/fotos/natacao_oen_recordep.jpg
Programa de prevenção
O "joelho de nadador" relaciona-se com a técnica de peito.
Para a prevenção deste caso específico propõe-se:
  • Diminuir o volume de treino na técnica de peito
  • Alterações da técnica de "pernada" de forma a diminuir a sobrecarga ligamentar.
  • Procurar caracterizar se o nadador com queixas utiliza os peito formal ou natural.
  • Realizar exercícios de reforço muscular e flexibilidade
  • Não ignorar a necessidade de um aquecimento prévio antes de realizar tarefas específicas de peito.
  • Progredir as cargas de treino de forma adequada, proporcionando uma adaptação progressiva das estruturas musculo-esqueléticas envolvidas.
  • Respeitar criteriosamente a periodicidade esforço/recuperação, através de uma alternancia na solicitação da articulação do joelho. As sessões de treino com elevada densidade de estimulação para a técnica de peito deverão ser intercaladas por outras de recuperação ou prifilácticas.
  • As primeiras queixas, aplicar gelo, interromper o treino e consultar o médico.
  • Na fase inicial de instalação da sintomatologia dolorosa, ao gelo e repouso devem associar-se AINE.
http://www.reeducacaoposturalglobal.com.br/images/posture2.jpg
Coluna Vertebral
As queixas mais frequentes são as dolorosas, não raras vezes referidas a região lombar e relacionadas com a técnica de borboleta.
Regra geral são autolimitadas e relacionam-se com as fases de maior intensidade e duração do treino. Nao obstante, é importante a realização de uma observação cuidadosa de forma a estabelecer um completo diagnóstico diferencial, é do lavantamento das causas possíveis para a sintomatologia dolorosa persistente.
As mais comuns são as traumáticas, as mecÂnicas, as relacionadas com o crescimento/desenvolvimento e as alterações musculo-esqueléticas.
Na avaliação destes nadadores devem ser levados em consideração os seguintes aspectos:
  • História passada ou recente de traumatismos da coluna
  • Relação com a atividade desportiva (características da tcnica e do estilo de nado;
  • eventuais relações entre as fases de agudas e o processo de treino)
  • Características da dor: fatores de agravamento; fatores de remissão ou alívio; irradiação; etc.

No exame físico devemos incluir:
Observação geral
Biometria, com especial atenção para os diferentes segmentos dos membros inferiores
Amplitude articular, fundamentalmente a flexão e extensão
Caracterização de eventuais deformações:
  • escolioses,
  • cifoses
  • e lordoses.
http://www.ruadireita.com/info/img/os-beneficios-da-natacao.jpg
Exame neurológico
A realização de exames complementares é poderada após a observância dos aspectos anteriores, ou seja, ditada pela sintomatologia e gravidade da situação apurada no decurso da história e exame físico.
Podemos referir que, no Âmbito preventivo, assumem especial importância os exames radiográficos, electromiográficos e posturográficos

Programa de prevenção
A inclusão deste ponto, no âmbito da prevenção de lesões em natação, pode afigurar-se paradoxal.
Na realidade, a natação a uma prática despotiva aconselhada para numerosas patologias da coluna.
No entanto, a natação de competição, particularmente nos jovens, quando não convenientemente orientada, pode constituir uma exceção a regra.
As razões prendem-se, sobretudo, com incorreções metodológicas do treino, potenciadas pelas diferentes fases de crescimento no jovem.
São alterações que, embora se possam verificar no nadador adulto, encontram na fase de treino de base o momento mais crítico.
Para a sua prevenção propõe-se:
Despiste precoce de eventuais contraindicações para a prática da natação de competição através de exame médico-desportivo.
Realização de treino fora de água, assumindo particular importancia a solicitação dos grupos musculares cervico-dorso-lombares e da parede abdominal.
Pesquisa de assimetrias do membro inferior e de alterações das curvaturas fisiológicas da coluna.
Utilização de técnicas de nado que não favorecam o aparecimento ou agravamento destas situações, nomeadamente:
  • Correta posição do corpo na água
Nos percursos realizados na técnica de crawl a adoção da respiração bilateral pode apresentar vantagens.
Redução da densidade da carga de treino, fundamentalmente na técnica de borboleta, quando as queixas são de lombalgia

Lesões cutâneas
A permanência no meio aquático predispõe a ocorrência de alterações dermatológicas.
As mais vulgares são as dermites (traumáticas e de contacto) e as infeções a fungos genericamente designadas micoses.
Dermites
As designações eczema e dermite são, em ambiente médico, muitas vezes utilizadas como sinônimos.
Por dermite entende-se uma situação genérica e inespecífica de inflamação cutânea.
Também aqui se aplicam os sinais cardinais da inflamação:
  • aumento do volume local por edema e infiltração celular(tumor);
  • vasodilatação com eritema (rubor),
  • acompanhado de aumento da temperatura local (calor);
  • e sensação dolorosa que se manifesta por prurido (dor).
A dermite de contato refere-se a uma hipersensibilidade cutânea do tipo retardado.
Para a identificação do alergeno é importante conhecer a ou as piscinas onde o nadador normalmente treina e investigar os produtos de desinfecção da água, bem como aqueles que utiliza na sua higiene.
Lembramos que os nadadores realizam duas sessões de treino por dia e, a vulgar variarem o tipo de shampoo e sabão que utilizam nos duches após o treino.
A dermite traumática é uma inflamação cutânea causada por agentes físicos ou químicos.
O mecanismo causal a uma agressão directa sobre a pele que no caso da natação é pouco acentuada e exerce-se por efeito cumulativo, provocando diminuição progressiva da sua resistência.
A diferenciação entre dermite traumática e de contato difícil, particularmente quando não se manifestam de forma aguda.
A relativa impossibilidade de diferenciação destes duas entidades, inclusive numa base clínica, não apresenta grandes incovientementes uma vez que a terapeutica não difere significativamente.
A dermite traumática cura expontaneamente quando se elimina o estímulo desencadeante.
A identificação do alergeno também é imprescindível para a resolução da dermite de contacto.
O tratamento local e geral é idêntico para ambos os casos: corticoterapia geral + terapeutica típica com solutos anti-inflamatórios na fase aguda e cremes/pomadas com corticóides nas fases sub-agudas e crônicas.

Micoses
São afecções cutâneas que se caracterizam pela natureza fungica dos respectivos agentes causais. É fundamental a realização de um diagnóstico correcto e específico.
O simples reconhecimento de uma micose não é suficiente para a instituição de uma terapeutica correta.
A utilização indiscriminada de qualquer anti-fungico para uma qualquer micose compromete a eficácia da terapeutica.
De localização predominante nos pés.
As lesões são geralmente crônicas, com uma evolução cíclica.
Caracterizam-se por prurido intenso de predomínio nocturno, principalmente na fase de vesicula. Evoluem para descamações, macerações e fissuraso inter-digitais, constituindo estes, não raras vezes, os únicos sintomas.
Por vezes, o quadro clínico complica-se pela participação de agentes pirogênicos, podendo levar ao aparecimento de linfangite.
É habitual a existência de onicomicoses em uma ou mais unhas (reservatório).

Prevenção
A prevenção destas situações baseia-se numa educação sanitária e inicia-se após o treino com as seguintes medidas:
Ducha com agua corrente
Utilização de shampoos e sabonetes hipoalergênicos com pH neutro.
Boa secagem da pele com especial atençãoo para os espaços interdigitais dos pés, podendo utilizar-se pós-antifungicos antes de calçar as meias.
Aplicação de cremes hidratantes em toda a superfície corporal.

Alterações Otorrinolaringológicas
Os longos períodos de permanência na água associados a qualidade duvidosa da água de algumas piscinas, predispõem os nadadores a algumas alterações do foro otorrinolaringológico.
Abordaremos de forma sucinta as patologias mais frequentes:
Otite externa
Os fatores pre-disponentes são os seguintes:
remoção do cerumen "normal" pela permanência prolongada na água presença de exostoses superiores.
Não podemos no entanto dissociar este aspecto do tratamento da patologia subjacente.ção

Alterações oculares
Resultam da ação dos produtos de desinfecção da água, particularmente o cloro, sobre a conjuntiva ocular.
Sao situações que apresentam a sintomatologia de olhos vermelhos (injeção ou hiperemia do tecido conjuntival) .
Acompanham-se de significativo desconforto, cedendo facilmente após a aplicação de colrios descongestionantes.
Constitui uma situação rara em natação de competição pois que a utilização de óculos de proteção (swimming goggles) uma constante, não só em treino como em competição .
Para nadadores que passam 3 a 4 horas por dia dentro de água, a sua utilização é o mais eficaz e único meio preventivo.
Clinicamente, na presença de uma inflamação ocular não podemos deixar de realizar o diagnóstico diferencial entre as suas possíveis causas.

Fonte:
Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos:
www.cbda.org.br
O Mundo da Natação- J. H. Gomes Pereira
A Ciência do Ensino da Natação - Mervyn L. Palmer

sábado, 17 de abril de 2010

Natação X Treinamento Infantil

http://i.ytimg.com/vi/35hPwmLGkkI/0.jpg

Estudos recentes têm evidenciado que a sofisticação dos treinamentos esportivos possibilita a obtenção de altos níveis de resultados e exige dos atletas, cada vez mais, determinação, tempo e esforços, que podem contribuir para a ocorrência de estresse físico e mental.

http://www.swgc.mun.ca/releases/PublishingImages/swim.jpg
O estresse, entendido como resposta inespecífica do organismo a diferentes agentes estressores (HANS SELYE apud GONÇALVES, 1998), pode gerar respostas psicofisiológicas adaptativas ou não.
Como exemplo destas respostas não adaptativas, podemos citar o “Burnout”1 , que é um dos fatores que interfere no processo de treinamento.
As respostas do organismo ao estresse provocado pelo treinamento esportivo são individualizadas e dependem de como o indivíduo interpreta o agente agressor.

Tal interpretação definirá se o treinamento esportivo é percebido como ameaçador ou revelará ao sujeito estratégias para lidar com o mesmo
(RIBEIRO, 1993).
Estudos mencionados por GONÇALVES (1998) indicam que crianças e adolescentes estressados apresentam sintomas tão graves ou mais que os adultos, por encontrarem-se em plena formação de suas personalidades,
o que os torna mais vulneráveis aos agentes agressores. Tornam-se ansiosos, desanimados, introvertidos, agressivos e deprimidos, além de apresentarem respostas fisiológicas, como perda de peso, falta de energia, diminuição do glicogênio muscular e da potência aeróbia máxima.

http://www.nycgovparks.org/sub_opportunities/employment/seasonal/images/learning_to_swim_nyc2_lg.jpg
Na pesquisa realizada por DE ROSE Jr. (1997) com 546 sujeitos (406 crianças e jovens na faixa etária de 7 a 16 anos, 171 pais e 68 técnicos), foram identificados 111 diferentes sintomas de estresse précompetitivo, tanto de ordem física quanto mental, em atletas infanto-juvenis de diferentes modalidades esportivas.

Tais sintomas provocam, com freqüência, o fenômeno do Burnout e o abandono precoce do esporte por jovens atletas.
Estudos desenvolvidos em psicofisiologia revelam uma consistente relação entre os níveis de estresse e as alterações nas respostas fisiológicas durante o treinamento, tais como:
  • o aumento das freqüências cardíaca
  • e respiratória,
  • da taxa de hormônios sangüíneos
  • e da concentração do lactato sangüíneo (BARA FILHO, 1999; TOLEDO, 2000).
Esta última merece mais atenção de nossa parte e será o objeto deste estudo, devido aos possíveis prejuízos causados no desenvolvimento global das crianças, como distúrbios do crescimento, da atenção e labilidade emocional, em especial a agressividade,
em virtude da criança possuir uma menor capacidade de obtenção de energia anaeróbia láctica em relação ao adulto (WEINECK, 1991).

http://www.esportsdubai.com/news/Swimming.jpg
A deficiência na produção de energia em esforços máximos pelo sistema anaeróbio láctico da criança, se dá, entre outros fatores, pela baixa produção no organismo infantil da enzima fosforofrutokinase, que é responsável pela depleção do glicogênio por via anaeróbia, o que leva, após um esforço intenso, a uma pequena produção de lactato (HOLLMANN & HETTINGER, 1989).
Porém, a baixa concentração de lactato sangüíneo no organismo infantil, segundo WEINECK (1991), não deve levar à conclusão de que as crianças são aptas para cargas anaeróbias, pois valores médios de 10 mmol já representam, em relação às suas massas corpóreas, uma carga tão alta quanto representam valores de 20 mmol para os adultos (valores encontrados em treinamentos de tolerância ao lactato).

Quando as crianças são submetidas a cargas de treinamento e competições exaustivas podem apresentar valores bem próximos aos encontrados em adultos, o que é prejudicial.
http://www.avanthill.com/assets/img/home/form_swim.jpg
Estudos realizados por WILLIAM et al (1990) com jovens de 13 anos, demonstraram que valores de 2,5 mmol/l e 4 mmol/l de concentração de lactato sangüíneo referem-se a uma média de 84% e 93% do VO2 max., respectivamente.

Diferentemente do que ocorre em adultos, o valor referente a 93% do VO2 max exprime características de esforço anaeróbio glicolítico por parte do organismo infantil, pois esses valores de lactato representam para adultos somente trabalhos aeróbios de baixa a média intensidade
(ZAKHAROV, 1992).

O desconhecimento de que a produção de lactato em torno de 4 mmol/l pela Saturação Física e Psicológica provocada por estresse de treinamento administrados acima da capacidade individual do atleta.
Segundo SILVA & RIBEIRO criança corresponde a 93% do VO2 max, acaba levando o treinador ao equívoco de intensificar a carga do treinamento.

O aumento do lactato no organismo infantil, provocado por exigências máximas em treinamentos ou competições, eleva, segundo pesquisas de LEHMANN et al apud BARA (1999), em mais de 10 vezes as taxas de catecolaminas (Adrenalina e
Noradrenalina), hormônios típicos do estresse, que já nessa idade podem levar o atleta a limites máximos de exigências psicofísicas.
Levando em consideração que a baixa capacidade anaeróbia de jovens atletas representa, segundo HOLLMANN (1989), uma forma de proteção do organismo
infantil contra a superacidez e o catabolismo muito alto dos limitados depósitos de glicogênio, poupando-os para órgãos que dependem de glicose, como o cérebro, acredita-se que treinamentos excessivos com características anaeróbias não correspondem à realidade específica dessa faixa etária.
A partir desses pressupostos teóricos acredita se que, em resposta às cargas de treinamento excessivas, o organismo infantil tende a sofrer adaptações negativas que levam a distúrbios do gênero falta de recuperação, queda da performance e labilidade emocional.
Segundo SMITH (1986), a saturação física e mental (“Burnout”), como resposta ao estresse crônico, acabam por contribuir significativamente, e em última instância, para o “Dropout” - processo de abandono do treinamento e da prática de uma modalidade esportiva.
O “Burnout”, segundo SMITH (1986), ocorre com mais freqüência em esportes individuais, como a natação, por serem mais competitivos, de alta exigência
física e psicológica, pela natureza repetitiva e monótona dos treinamentos, além do menor suporte social dos companheiros de treinamento.

http://www.newscientist.com/blog/environment/uploaded_images/swim-742332.jpg
A natação, por ser uma modalidade esportiva na qual as crianças são iniciadas muito cedo, e cujo processo de treinamento é intenso e estressante na busca do alto rendimento, vem sendo recordista em abandono precoce2 entre as diversas modalidades esportivas.
Na busca de aprofundamento no tema, e visando obter elucidações para os problemas acima citados, procuramos investigar na literatura atual possíveis respostas para tais inquietações.
Desta forma, objetivamos contribuir com o processo de treinamento das diversas modalidades esportivas, em especial
a natação, que trabalham com atletas infantis, cujos treinadores freqüentemente deparam-se com problemas de falta de adaptação ao treinamento.
METABOLISMO ANAERÓBIO E A RESPOSTA DO LACTATO SANGÜÍNEO AO EXERCÍCIO

Em função dos pesquisadores estarem altamente interessados no benefício da atividade aeróbia de longa duração para a saúde cardiovascular e pulmonar
e para a segurança no treinamento desportivo de alta intensidade, a atenção das pesquisas em Fisiologia do Exercício tem centrado seu olhar principalmente sobre a resistência aeróbia.
Utilizando-se tradicionalmente o percentual de VO2max. para estimar a capacidade de performance de resistência, a maioria dos programas de treinamento físico é desenvolvida com o intuito de aperfeiçoar tal capacidade.
Inúmeras pesquisas têm demonstrado que a resposta do lactato sangüíneo ao exercício parece estar muito mais relacionada ao resultado da performance de resistência do que ao VO2max, sendo, portanto, mais seguro na predição de programas de treinamento (WELTMAN, 1995).
Dentre as pesquisas citadas por WELTMAN, que respaldam a referida conclusão, destacamos as realizadas por COYLE et al, (1988; 1991), onde estudos com ciclistas com valores similares de VO2max. demonstraram :
1que os atletas com maior Limiar de Lactato (LL) atingiram a fadiga em tempos duas vezes mais longos e puderam trabalhar com percentagens muito mais altas de VO2max. antes de atingirem o LL.

2 Entende-se por precoce o abandono antes do atleta completar o seu estágio de maturidade física e psicológica, quando estaria em tese pronto para uma exigência máxima esportiva.

3 Aqui o LL é considerado o maior VO2 que pode ser alcançado durante exercícios máximos, antes de ser observado a elevação do Lactato Sangüíneo.

Corroborando estes resultados encontramos vários estudos que tem demonstrado um efeito superior da atividade física sobre as respostas do lactato sangüíneo e sobre as alterações musculares locais, quando comparados as alterações cardiovasculares e melhoria do VO2max. (ASTRAND, 1987), o que indica que estas adaptações dependem de mecanismos
diferenciados.
O lactato produzido durante um exercício é removido para o sangue para que seja levado a músculos inativos, ao fígado e ao coração para ser ressintetizado.
Por este motivo a concentração de lactato no sangue tem sido utilizada para determinar a sua produção durante o exercício.
Entretanto, devemos ter claro que a CLS não é unicamente resultado de sua produção no músculo, mas também o intestino, o fígado e a pele, parecem
ser capazes de liberar lactato, sendo a CLS considerada resultado do equilíbrio entre a adição no sangue do lactato produzido e sua remoção do sangue
para os órgãos que o ressintetizam (BROOKS, 1991; ROWLAND, 1996).
Com base nessas novas tendências, os treinadores de diversas modalidades esportivas, em especial a natação, passaram a utilizar a determinação do LL e a Concentração de Lactato Sangüíneo (CLS)4 para determinação da performance e do programa de treinamento de seus atletas, onde um valor de 4 mmol/l de lactato sangüíneo tem sido utilizado para determinar uma razoável aproximação da média de LA.
Quando o indivíduo é submetido a treinamentos de resistência, sabemos que o acúmulo de lactato sangüíneo diminui durante exercícios de mesma intensidade.
Apesar dos mecanismos básicos desta adaptação ainda não estarem completamente definidos, acredita-se que esta resposta do organismo ao treinamento deva-se a uma menor produção de lactato e/ou a uma melhora da eficiência na remoção e ressíntese do mesmo, devido a adaptação enzimática ao exercício, o que leva a uma menor utilização do glicogênio durante sua execução (WELTMAN, 1995).
Paralelamente, quando submetido a treinamentos intensivos o indivíduo desenvolve uma maior suportabilidade a níveis cada vez mais altos de lactato em exercícios máximos (FOX, 1983; McARDLE, 1986).
Corroborando com FOX (1983) e McARDLE (1986), WELTMAN (1995) cita vários estudos que relatam adaptações das respostas do lactato sangüíneo ao treinamento de resistência, onde todos os parâmetros, como o LL, IALS (Início do Acúmulo do Lactato), LAI (Limiar Anaeróbio Individual)5, sofrem modificações para um degrau muito maior em relação à fase pré-treinamento, inclusive para degraus sempre superiores ao ganho sofrido, em função do mesmo treinamento, pelo VO2 max.
Isto reforça ainda mais a tese de que a utilização das respostas do lactato sangüíneo ao exercício é mais adequada para avaliação da performance e prescrição do treinamento do que o VO2 max.

PRODUÇÃO DE LACTATO E TREINABILIDADE DO METABOLISMO ANAERÓBIO EM CRIANÇAS:
Aparentemente, se pouca atenção foi dada pelos estudiosos da área ao metabolismo anaeróbio, em relação à grande produção de conhecimento sobre da resistência aeróbia, pior torna-se a análise quando nos referimos às pesquisas sobre o desenvolvimento da resistência anaeróbia em crianças.
Talvez a escassez de estudos com crianças deva-se à dificuldade para
avaliar esta capacidade sem procedimentos invasivos, dada a inviabilidade de predizer a aptidão anaeróbia por meio da investigação do VO2 max.
No entanto, ao acompanhar uma criança na realização de suas tarefas diárias, é possível perceber que grande parte dos seus movimentos são de curta explosão, como saltos e curtas corridas, e sem que estas atividades intensas sejam mantidas por um longo período, capacidade que melhorará com o passar
dos anos.
Esta observação nos leva a questionar sobre o porque deste fenômeno.
Na busca de explicações, encontramos WEINECK (1991) que afirma que a criança possui uma menor capacidade para obtenção de energia anaeróbia que adulto, chegando próximo ao seu nível somente na puberdade.
Reforçando o pensamento de WEINECK, ROWLAND (1996) cita diversas pesquisas que contribuem para respondermos tal pergunta.
Grande parte de seus estudos apontam uma deficiência na capacidade e Nível de Lactato acumulado no sangue após um esforço físico.
O maior VO2 que pode ser mantido acima do tempo sem um crescimento contínuo no acúmulo do lactato, que é determinado pela capacidade individual.
SILVA & RIBEIRO
A capacidade de gerar energia anaeróbia durante os exercícios intensos por parte da criança. Entretanto, concluem que a capacidade anaeróbia aperfeiçoa-se, progressivamente, com o passar da idade. Dentre as pesquisas apontadas por ROWLAND, destacamos as realizadas por BAR-OR e FALGAIRETTE et al. (1986) que encontraram, em relação à capacidade anaeróbia, valores absolutos dobrados entre as idades de 8 e 14 anos e um aumento progressivo nas medidas relacionadas ao peso corporal e idade, respectivamente.
Corroborando com os estudos apontados por ROWLAND (1996), ASTRAND (1987) confirmou, através de estudo realizado já em 1952, um aumento constante com a idade nos valores máximos de lactato durante exercícios em bicicletas, sem diferenças significativas na CLS em meninas e meninos antes da puberdade.
Estes e outros estudos sugerem que a maturidade sexual possa influenciar na produção de lactato.
Caminhando neste sentido, PRADO (1999) vem apontando alguns estudos que aumentam a evidência entre a relação da produção hormonal que ocorre durante a puberdade e o desenvolvimento do metabolismo anaeróbio, sugerindo que somente a partir desta faixa etária é que o atleta estaria pronto para suportar tais exigências de treinamento.
Uma das grandes e significativas diferenças entre o metabolismo anaeróbio de crianças e adultos que reforçam a nossa preocupação com o problema ora apresentado, encontra-se no fato de que um valor de 4,0 mmol/l de lactato sangüíneo tem sido utilizado para determinar uma razoável aproximação da média de LA, sendo indicado para exercícios submáximos.
Entretanto, os níveis de lactato sangüíneo são mais baixos em crianças na mesma intensidade de exercícios.
Portanto, um valor de 4,0 mmol/l em crianças representa intensidades de trabalhos anaeróbios glicolíticos.

http://static.howstuffworks.com/gif/swimsuit-swim-faster-1.jpg
Dados coletados por WILLIAMS, ARMSTRONG & KIRBY (1990) em um estudo desenvolvido com 103 jovens de 13 anos, demonstraram que concentrações
de lactato sangüíneo a níveis de 2,5 mmol/l e 4 mmol/l correspondem a uma média de 84% e 93% do VO2 max., respectivamente. Estes resultados são
bastante preocupantes quando analisados a luz do que aponta ZAKHAROV (1992), que nos indica que percentuais próximos e/ou superiores a 90% do VO2 max exprimem características de esforço anaeróbio glicolítico, diferente do que ocorre em adultos, pois, para estes, os valores de lactato em torno de 2 a 4 - mmol representam somente trabalhos aeróbios de baixa a média intensidade.
Em um estudo similar, TOLFREY & ARMSTRONG (1995) compararam crianças, adolescentes e adultos, quanto à relação entre o VO2 correspondente às concentrações de 2,5 e 4,0 mmol.l (-1), onde não foi encontrado diferença significativa entre os grupos para a concentração de 2,5 mmol.l (-1), que correspondeu a uma média de 85% do VO2max, para ambos os grupos.
Entretanto, para o valor de 4,0 mmol.l (-1) foi encontrado uma significativa diferença, o qual correspondeu, respectivamente para crianças, adolescentes e adultos, a 94, 92 e 87% do VO2mx.
Estes resultados reafirmam a influência da maturidade sexual na resposta do lactato ao exercício e a inadequação da utilização do valor de 4,0 mmol.l(-1) como parâmetro para o treinamento de jovens atletas.

http://www.marthaburns.com/photos/homePhoto.jpg
Essa incapacidade da criança em produzir energia por via anaeróbia láctica, segundo HOLLMANN & HETTINGER (1989), se dá, entre outros fatores, pela baixa produção da enzima Fosforofrutokinase durante a infância até a adolescência, ocorrendo um aumento gradativo com o avançar da idade, o que acarreta uma baixa produção de Lactato após um esforço intenso.
Paralelamente ao aumento progressivo nos níveis de lactato produzidos com a idade, o ph sangüíneo no exercício máximo também diminui enquanto as crianças crescem (ROWLAND, 1996).
http://www.teambath.com/wp-content/uploads/Action%20012%20(Small).jpg
As mudanças relacionadas ao débito de O2 durante a recuperação de exercícios máximos e a velocidade do restabelecimento da força anaeróbia após os mesmos, que se elevam consideravelmente com a idade, são considerados um outro dado que evidencia ainda mais a limitação das crianças para a resistência anaeróbia. ROWLAND (1996) cita que o valor total de VO2 durante a recuperação de exercícios máximos é considerado um forte indicador de contribuição de energia anaeróbia.
Sintetizando, encontram-se os seguintes dados que reforçam evidências de que o organismo infantil não é capacitado para trabalhos anaeróbios glicolíticos, podendo-se citar que:
• nível de lactato sangüíneo em exercícios submáximos e máximos é menor em crianças do que em adultos e aumenta progressivamente com a idade, chegando próximo aos do adulto somente na puberdade, em virtude da maturidade sexual;
• a produção da enzima Fosforofrutokinase é menor em crianças do que em adultos; o início da manifestação anaeróbia expressa como percentagem de
VO2 max. é maior em crianças do que em adultos;
• o restabelecimento do débito de VO2 ou O2, aumenta com a idade e o ph sangüíneo é inicialmente muito mais alto em crianças do que em adultos, diminuindo seus valores com o passar da idade.
Apesar dos estudos referentes à treinabilidade desta capacidade em crianças serem em pequeno número e, por vezes, contraditórios, evidências tem sido apontadas no sentido de que todos os parâmetros aqui discutidos melhoram ao longo do tempo através de um treinamento sistematizado (PRADO, 1999).
Entretanto, WEINECK nos alerta que: A menor capacidade anaeróbia deve ser levada em consideração durante a execução de cargas de resistência na idade infantil e jovem: a escolha dos métodos e conteúdos de treinamento, assim como a dosagem da intensidade e duração das cargas de treinamento, devem ser adaptadas à realidade fisiológica da idade.

http://wwwdelivery.superstock.com/WI/223/1557/PreviewComp/SuperStock_1557R-182027.jpg
Deste modo, o treinamento quando administrado em crianças e adolescentes, sem respeitar as características destas faixas etárias, pode tornar-se um fator desencadeador de um alto nível de estresse tanto físico quanto psicológico, provocando adaptações negativas tanto de ordem biológica quanto mental, levando a uma possível saturação (“Burnout”) por parte do atleta, podendo, em uma última análise, contribuir para o processo de abandono da modalidade (“Dropout”), fenômeno muito comum na natação.
http://www.annarbor.com/2009/07/24/24WISC5.jpg
Apesar das transformações tecnológicas e sofisticações do treinamento esportivo, percebe-se que ainda existe muita controvérsia na literatura, no que diz respeito aos benefícios e malefícios do treinamento de rendimento administrado precocemente.
Ainda que exista uma grande necessidade de pesquisas na área, muitas evidências já foram apontadas, por estudos tanto em Fisiologia quanto em Psicologia, no sentido de que as crianças não estão preparadas, seja em função dos seus processos de crescimento e desenvolvimento ou de sua maturidade biológica e psicológica, para a assimilação positiva das altas cargas de treinamento, necessárias para se adquirir a performance esportiva.
Mesmo diante destas evidências, só tem crescido o número de crianças submetidas precocemente a processos sistematizados de treinamento em busca de vitórias e recordes nas mais variadas modalidades esportivas, principalmente na natação.
http://www.charleston.af.mil/shared/media/photodb/web/080720-F-6448T-010.JPG
Acredita-se que ao se submeter um sujeito a níveis máximos de treinamento, independente do nível e importância da competição, pode-se levar este jovem a acumular lactato sangüíneo acarretando no organismo disfunções psicofisiológicas.
Vale ressaltar que considera-se treinamento de alto nível toda e qualquer situação de competição e treinamento que possa levar o atleta a auto superação física e mental, e não necessariamente os que preparam exclusivamente para as competições de nível internacional.
Outros, com base no estudo realizado por GONÇALVES (1998) com alunos de primeiro grau, onde foi encontrada uma negativa, consistente e significativa correlação dos indicadores dos níveis de estresse com o rendimento escolar, suspeita-se que os altos níveis hormonais, bem como o acúmulo de lactado, considerados agentes agressores ao organismo infantil, podem contribuir para o aumento da agressividade, diminuição dos níveis de atenção e conseqüente redução dos níveis de rendimento do atleta.
Na tentativa de contribuir para solucionar o problema apontado neste breve ensaio, encontramos na psicofisiologia um caminho possível para analisar os efeitos negativos provocados por treinamentos intensivos, administrados a crianças.
Em especial, este trabalho refere-se ao controle da concentração e remoção do lactato sangüíneo.
Segundo RIBEIRO & BENDA (1995), a Psicofisiologia consiste na integração da Psicologia e da Fisiologia, viabilizando meios para a compreensão das respostas psicomotoras e desenvolvendo estudos que demostram uma consistente relação entre os níveis de estresse e as respostas fisiológicas provocadas pelo treinamento, como o aumento das freqüências cardíaca e respiratória, de hormônios sangüíneos liberados durante o estresse e da produção de lactato pelo músculo.
TOLEDO (2000) concluiu em seu estudo desenvolvido com atletas de Futsal da categoria juvenil (16-19 anos), que a Técnica de Relaxamento Progressivo de Jacobson provoca uma significativa redução no acúmulo de lactato em esforços subsequentes à aplicação da técnica, bem como contribui na redução de seus níveis após esforço.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASTRAND, P. O. & RODHAL, K. Tratado de Fisiologia do Exercício. 1987.
BARA FILHO, M. G. (1999). Efeitos Psicofisiológicos do Fenômeno do “Burnout” em nadadores. (Dissertação de Mestrado). Rio de Janeiro: PPGEF/UGF. BROOKS, G. A. Lactate Metabolism, Current Concepts.
Exercise Physiology Laboratory, Department of Human Biodynamics, University of California (mimeo), 1991. DE ROSE JR. D. Sintomas de Stress no Esporte Infanto-Juvenil. Revista Treinamento Desportivo, 3, 2, p.12-20, 1997.
FOX, E. L., MATHEWS, D. K. Bases Fisiológicas da Educação
Física e dos Desportos. Rio de Janeiro: Interamericana, 1983.
GONÇALVES, M. G. (1998). Estresse Infantil: um aspecto do rendimento escolar. (Tese de Livre Docência). Rio de Janeiro: PPGEF/UGF.
HOLLMANN, W. & HETTINGER, Th. Medicina de esporte.
São Paulo: Manole, 1989.
McARDLE, W. D., KATCH, F. I., KATCH, V. L. Fisiologia do
Exercício: energia, nutrição e desempenho humano.
Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
PRADO, S. L. Fisiologia Aplicada ao Treinamento de Crianças:
capacidade anaeróbia. In: Novos Conceitos
em Treinamento Esportivo. Brasília: INDESP, 1999.
RIBEIRO, L., BENDA, R.
ROWLAND, T. W. Developmental Exercise Physiology
Human Kinetics Publishers. Champaign, IL, 1996.
SMITH, R. S. (1986). Toward a cognitive-affective model
of athletic burnout. Journal of Sport Psychology. 8,
36-50.
TOLEDO, H. G. Efeitos da Aplicação da Técnica de Relaxamento
Progressivo de Jacobson na Redução dos
Níveis de Lactato. Dissertação de Mestrado apresentada
ao PPGEF. Rio de Janeiro: UGF, 2000.
TOLFREY, K., ARMSTRONG, N. Child-adult differences in
whole blood lactate responses to incremental
treadmill exercise. Br. J. Sports Med., Vol 29, No. 3,
pp. 196-199, 1995.
WEINECK, J. Biologia do esporte. São Paulo: Manole,
1991.
WELTMAN, A. The Blood Lactate to Exercise. Champaign
IL: Human Kinetics, 1995.
WILLIAMS, JR, ARMSTRONG, N., KIRBY, B.J. The 4 mM
blood lactate level as na index of exercise
performance in 11-13 year old children. J. Sports
Sci, Vol 8, No. 2, pp. 139-47, 1990.
ZAKHAROV, A. Ciência do treinamento desportivo. 1ª.
ed. Rio de Janeiro: Grupo Palestra Sport, 1992.
dos à Execução do Movimento: proposição da teoria
do eixo de respostas psicifisiológicas.
Nádia Souza Lima da Silva
S. J. & COSTA, V. L. M. Cultura Atividade Física e Esporte. Rio de Janeiro: Gama Filho, 1995.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Natação em Águas Abertas é Òtima!!! Mas todo Cuidado é pouco...

O tenente-coronel do Exército, Sérgio Correia Portela, de 48 anos, morreu após sofrer um mal súbito durante a prova de maratona aquática Travessia dos Fortes, na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio.
De acordo com o Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros (Copacabana), ele chegou a se afogar no mar, entre as boias 5 e 6, a 700 m de distância de chegada, no Leme.

Ele foi socorrido pelos salva-vidas, que o colocaram numa lancha de emergência e levaram para o posto médico.

Os médicos e bombeiros tentaram reanimá-lo durante 45 minutos, mas o militar não resistiu e teve uma parada cardiorrespiratória.

A organização da Travessia informou que o atleta apresentou todos os documentos necessários para participar da prova, tais como atestado médico com CRM, declaração do técnico com número do CREF e termo de responsabilidade assinado.

Segundo amigos do tenente-coronel, e

http://3.bp.blogspot.com/_2RehqyT8IJo/Sqwrwn2CyII/AAAAAAAAC6s/JeOBkZ89daY/s400/1.%C2%AA+Prova+de+Mar+de+Arma%C3%A7%C3%A3o+de+P%C3%AAra+(30).jpg

le veio de Curitiba com a esposa e a filha para participar da travessia. A família estava hospedada em um hotel na orla de Copacabana.

O tenente-coronel da Arma de Infantaria era do Colégio Militar de Curitiba, estava aposentado e participava de competições de natações em todo o país, representando pelo Círculo Militar do Paraná.

Uma de suas últimas provas foi a 4.ª Volta a Ilha de Porto Belo 2010, realizada no dia 28 de fevereiro.Portela concluiu a travessia em oitavo lugar, entre os competidores de sua faixa etária (45 a 49 anos).Sem dúvida uma fatalidade.

Como qualquer atividade física é preciso haver acompanhamento médico, nosso corpo em várias fases da vida tem suas adaptações e necessidades, o fato de praticar esporte não torna um indivíduo um super herói de histórias em quadrinhos, mas sim um atleta.
Não importa se você nada 2 vezes por semana ou se tem treino todos dias, você é um atleta assuma isto e comece a se cuidar como tal.
http://alcatrazumagelada.files.wordpress.com/2009/03/fortes2.jpg
Os 12 Mandamentos Àguas Abertas
SEJA AUTO-SUFICIENTE
Você deve estar preparado para lidar com surpresas e ser auto-suficiente (ou não depender de outras pessoas para salvá-lo caso alguma coisa aconteça). É importante sentir-se confortável na natação em águas abertas, para que seja possível curtir a atividade.
http://www.aguasabertas.com.br/travessia_dezenove.jpg
MANTER A COMPOSTURA
Em águas abertas, normalmente não temos nada em que nos apoiar. Antes de encarar essa atividade, portanto, responda ás seguintes perguntas:
- Você se sentiria confortável ao nadar longas distâncias sem nenhum apoio?
- Você conseguiria flutuar enquanto tosse porque engoliu água?
- Você conseguiria nadar com cãibras?
- Você conseguiria nadar embaixo da água por alguns segundos sem sentir claustrofobia?
Pense bem sobre estas questões, pois as respostas são muito importantes. É imprescindível que o nadador evite o pânico em situações adversas. O maior desafio ao nadar em águas abertas é manter a compostura, não importa o que aconteça.
http://www.ilhabela.sp.gov.br/banco_fotos/TRAVESSIA_CANAL05.jpg
NADE SEMPRE ACOMPANHADO
Mesmo que você tenha tentado se preparar para qualquer problema, é possível que algo inesperado aconteça e que você precise de ajuda. Essa não é a hora de estar sozinho. Avise os salva-vidas que acompanham o local sobre seus planos antes de cair na água. Se não houver nenhum salva-vidas por perto, nade com alguém.

ESTEJA SEMPRE VISíVEL
Isso ajudará as pessoas a lhe acharem caso você precise de ajuda.
Toucas, Maiôs e sungas coloridas servem exatamente para esse fim.
http://www.poracaso.com/avante/wp-content/2009/01/19jan09-01.jpg
APRIMORE A NAVEGAÇÂO
Você é capaz de nadar na mesma direção quando não existe uma linha no fundo que lhe sirva de guia?
A maior parte dos técnicos aconselha a lidar com esse dilema treinando sua capacidade de navegação em uma piscina.
Tente levantar a cabeça e olhar para o fim da raia.
Levante a cabeça em momentos diferentes durante o nado e sinta o que é mais confortável. Conseguindo fazer isso, você já terá solucionado a mais importante parte da navegaço em águas abertas.
http://oglobo.globo.com/fotos/2009/04/05/05_MHG_TRAVESSIA.jpg
EVITE TUMULTOS
Em águas abertas, sempre existem muitos competidores ao seu redor.
Você se sentiria confortável nadando no meio de 400 braços e pernas?
Caso a confusão de nadadores seja muito grande durante algum momento da prova, mova-se para a parte de fora do curso.
Essa estratégia pode ser especialmente útil na hora de fazer uma curva, quando todos os competidores chegam o mais perto possível da bóia.
Se você estiver na parte de dentro da curva, acabará tendo de lutar com uma multidão.
http://www.bombeiros.mt.gov.br/imagens/img/2319.jpg
ENCONTRE SEU ESPAÇO
Imagine uma multidão de nadadores ou triatletas alinhados, só esperando o início da prova.
Ao ser dada a largada, todos passam da vertical para a horizontal e ficam assim uns sobre os outros. Resultado: pernadas e cotoveladas são inevitáveis.
Para escapar desse inconveniente, o jeito é planejar uma rota de fuga antes do início da prova. Comece na parte de trás, onde ninguém mais brigará por seu espaço na água.
O problema é que algumas pessoas ficam cansadas depois do sprint inicial e você terá que navegar entre elas.
Outra opção é começar de um lado ou de outro.
Caso sua estratégia seja se misturar com outros nadadores, prepare-se para lutar um pouco para manter seu espaço.
Uma pernada maior e mais forte é um método de garantir mais espaço - ela desencoraja outros competidores que estejam perto de você.
Outro truque é manter sua braçada um pouco mais larga e segurar seu antebraço perto da vertical.
Assim, você utiliza o antebraço para manter outros nadadores distantes do seu corpo.
http://blogs.diariodonordeste.com.br/manobraradical/wp-content/uploads/2009/11/Nadadores-FINA2-415x311.jpg

APRENDA A LIDAR COM ONDAS
As ondas fazem você ir para cima e para baixo. Se você mantiver seus dedos acima do nível da água, uma onda inesperada pode lhe atingir, fazendo sua mão entrar na água abaixo do ombro. Isso não é o ideal. Para manter um estilo correto, é preciso ter a recuperação de sua mão bem mais alta quando estiver nadando em águas abertas. Quanto menos tempo sua mão passar na superfície da água, menos ela será afetada pelas ondas. Outra providência a ser tomada aaprender a respiração bilateral. As ondas geralmente se deslocam na mesma direção. Imagine se elas estiverem chegando pelo seu lado direito e você só puder respirar pela direita!
http://3.bp.blogspot.com/_ETWbGIcuNJM/SKYHBf6Bk1I/AAAAAAAABN0/q4LR7u-mzqU/s400/natacao.jpg
SUPERE A ARREBENTAÇÃO
Para alguns nadadores, passar do ponto de arrebentação é bastante divertido.
Para outros é o mais absoluto terror.
Se você está no segundo grupo, melhor pensar duas vezes antes de nadar no mar.
Observe por alguns minutos o tamanho das ondas e onde elas estão quebrando.
Quanto mais longe da arrebentação, mais fácil fica a natação.
Portanto, o truque é chegar além da arrebentação o mais rápido possível.
Quando você passar da arrebentação ou estiver nadando de volta para a praia, lembre-se de que não se deve lutar contra a água.
Ela vai ganhar sempre!
Não tenha medo de deixar a água o levar por algum tempo.
Afinal o mar é bem mais forte do que você.
http://img.blogs.abril.com.br/1/aguasdebuzios/imagens/d+-blog-jj.jpg
ENFRENTE A CORRENTEZA
Não existe técnica especial para enfrentar correntes.
Nadar contra uma corrente fraca pode significar atraso substancial no cumprimento de seu percurso (e você não chegará a lugar algum nadando contra uma correnteza forte).
Por outro lado, você percorrerá a distância muito mais rápido se puder nadar a favor da corrente. No caso de uma correnteza contínua, como em um rio, é preciso mirar acima do seu objetivo.
Um pouco do esforço será direcionado par chegar ao fim da prova, enquanto outra parte dele será destinada a lutar contra a corrente.
http://www.mundotri.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ZEK_1310-211x300.jpg
PROTEJA-SE DA ÁGUA FRIA
Ao nadar em agua fria, sua reação natural será não respirar quando a face estiver dentro dágua. Portanto, force a exalação enquanto sua face ainda estiver dentro dágua.
Com esse procedimento, você poderá entrar em ritmo de nado mais rapidamente.
Caso sua resistência a água fria seja muito baixa, use um wetsuit e 2 ou 3 toucas de silicone.
Faça o que for necessário para evitar a hipotermia.

DIVIRTA-SE ENQUANTO NADA
Uma das melhores maneiras de sentir-se confortável na água e divertir-se.
Que tal pegar uns bons jacarés enquanto nada?
Ou subir nas ondas e ver a praia lá de cima?
Brincadeiras como essas podem até parecer infantis, mas são capazes de ajuda-lo a se familiarizar com a água e sentir-se parte dela.
http://www.ilhabela.sp.gov.br/banco_fotos/TRAVESSIA_CANAL04.jpg
Antes da Prova

1ª Dica : Não coma nada de diferente no dia que antecede a prova e muito menos no dia da prova! Este não é o momento de provar pratos novos e não consuma frutos do mar pelo risco de contaminação.

2ª Dica: Coma bastante carboidrato no dia que antecede a prova. Faça um lanche da tarde com sanduíche integral e uma vitamina de fruta (sem açúcar) e tente jantar um prato de massa com molho leve, como o de tomate.

3ª Dica: No café da manhã antes da prova, nada de carboidratos integrais como granola, aveia, frutas e pães integrais. É importante também evitar as proteínas e gorduras como o leite, presunto magro e queijos. Prefira pães brancos com mel ou geléia, combinado com suco de frutas.

4ª Dica: Durante os percursos NUNCA recuse água. Não precisa tomar todo o copinho, mas ao menos molhe a boca.

5ª Dica: Para os grandes percursos utilize o gel de carboidrato a cada 35-40 minutos de prova.

6ª Dica: Para quem for a largar a tarde ou fazer relargada, não coma muito durante o almoço e tente ao máximo evitar as frutas que tenham mais fibras, como a banana, maçã, etc. Prefira a melancia caso esteja disponível.
Por Fim...
Divirtam-se!!